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A Roça do Seu Zé

['A Roça do Seu Zé]

Das conversas que tive sobre os mananciais com o Sr. José Rocha de Barros, o Seu Zezinho como era conhecido, e que morou por muitos anos nos mananciais da Serra, uma estória sempre recorrente era sobre a existência de um local onde os moradores faziam plantação de milho e feijão. Essas informações foram confirmadas pelos filhos do Seu Zezinho.

 

A estrada para essa plantação segundo a indicação de Seu Zezinho, começava próximo de onde eu havia encontrado uma seção da Adutora de Curitiba, em Abril de 2011. Essa parte da adutora foi o ponto de partida para toda a minha pesquisa sobre os mananciais da serra. O local da plantação era chamado pelo Seu Zezinho como “roça” e assim eu passei a denominar a plantação, como a “Roça do Seu Zé”

 

Em Janeiro de 2012, seguindo pela linha da adutora de Curitiba, no sentido para a Vila Operária, encontrei um caminho já parcialmente fechado pela vegetação rasteira e de média altura. Fiz a caminhada com certa dificuldade, pois o caminho original já estava bem fechado. No percurso, passei por vários locais que indicavam que no passado existia um caminho, face a uma das laterais apresentar sinais de corte do terreno, formando um barranco e pela ausência de árvores de grande porte no meio dessa “trilha”.

Em outro ponto já bem distante de onde havia começado o caminho na “estrada”, após uma descida suave, cheguei até a margem de um rio, que posteriormente descobri ser o rio do Carvalho.

 

Nas proximidades da margem esquerda do rio encontrei uma grande área, cuja vegetação era composta apenas de capim alto. Era uma espécie de grande clareira, com a vegetação de floresta (árvores de grande porte), apenas ao longe.

A primeira foto da clareira ou local da “roça” foi feita as 11hs07min do dia 28 de Janeiro de 2012.

 

Na próxima conversa com o Seu Zezinho, que talvez tenha ocorrido no final da semana posterior ao encontro (já não me recordo as datas), contei sobre o achado da roça. Seu Zezinho me perguntou se havia encontrado uma ponte, pois mencionei sobre o rio nas proximidades da clareira.

Conforme relato do Seu Zezinho, no passado havia uma ponte de madeira que permitia o acesso para o outro lado do rio, onde tinha outra área de roça.

 

Guardei essa informação, pois estava efetuando caminhadas para registrar outras estruturas dos mananciais.

No ano seguinte, em Fevereiro de 2013, realizando uma nova incursão para a Roça do Seu Zé. Na chegada ao ponto da margem do rio do Carvalho onde havia estado no passado, observando com mais atenção o leito do rio, encontrei os restos da tal ponte.

 

No fundo do leito do rio, achei três troncos de arvores que serviram de base para a estrutura da ponte, e restos de palanques que eram partes integrantes da estrutura. A primeira foto das ruínas da antiga ponte foi feita as 13hs05min do dia 03 de Fevereiro de 2013.

 

 

Mostrando as fotos da ponte ou do que restou dela, Seu Zezinho contou outra estória, que em um ano que ele não conseguia recordar, ao transpor a ponte conduzindo um cavalo, o animal acabou escorregando e caindo dentro do rio.

 

Como os achados confirmaram as indicações passadas pelo Seu Zezinho, a outra parte da local da plantação ainda estava por ser encontrada. Como nesse ponto da antiga ponte e também nas proximidades, o rio do Carvalho já tem um leito mais largo, a travessia deveria ser realizada em outro local.

 

Lembrei da existência de uma trilha que inicia nas proximidades do começo do caminho para a Chaminé da Casa da Bomba.

Na região, essa trilha é conhecida como a “trilha da pauada”, que foi aberta após a formação da barragem, e que pode ter sido utilizada por pescadores para se deslocarem até o lugar chamado de pauada. Foi assim designado em decorrência que no lago formado pela barragem, muitos troncos de árvores ainda ficaram para fora da água.

 

A trilha da pauada cruza o rio do Carvalho, em um ponto onde a existência de grandes rochas no leito do rio, facilita a travessia para a outra margem.  Tendo transposto o curso da água, segui pela direita, acompanhando a margem do rio até encontrar outra clareira, esta de tamanho menor do que aquela descoberta no ano anterior.

 

Embora tenha encontrado a outra parte da roça, acabei não fazendo fotos deste local, pois a vegetação era mais cerrada. Então não tenho a data precisa desta descoberta. Acredito ter sido no mesmo ano do encontro da ponte, em 2013.

 

Em conversa recente com o Sr. Osmair Rocha de Barros, filho do Seu Zezinho, obtive outras informações sobre a “lida” na plantação. O deslocamento da Vila Operária até a roça era realizada com carroça e dois cavalos. Além do Sr. Osmair, seu irmão Dirso Pinto de Barros também trabalhava na roça.

A plantação do milho e feijão era realizada entre os meses de Agosto e Setembro. A colheita ocorria entre os meses de Janeiro e Fevereiro.

 

Os cavalos também eram utilizados para puxar implementos agrícolas, do tipo arado de aiveca e grade de dentes.

 

Na época das colheitas, aquele desnível que encontrei no caminho para chegar até o rio do Carvalho, tornava muito difícil o retorno para a vila, pois o terreno acidentado dificultava a tração animal, face à carroça estar carregada com os produtos agrícolas.

 

Outra informação passada pelo Sr. Osmair é que em épocas de chuvas era comum o alagamento da roça, em virtude do transbordamento do rio do Carvalho. O Sr. Osmair também relembra que o rio era caudaloso naquela área, contrastando com o minguado curso de água que vemos atualmente.

 

No ano de 2014 em uma das incursões até a roça, na metade do caminho acabei escutando barulho de água bem ao longe. Achando ser uma queda de água do rio do Carvalho, deixei o caminho, tentando chegar até o som das águas.

Acabei encontrando uma “vala” no meio da floresta, que mais tarde acabei por concluir tratar-se do local por onde passou a Linha de Reforço da Casa da Bomba.  Cheguei até o rio, mas o som era apenas de uma corredeira.

 

Nas fotos acima, uma imagem da roça tirada do topo do Morro da Torre Amarela, outra a partir do solo, na grande clareira e uma das ruínas da ponte.