X

Fale Conosco:

Aguarde, enviando contato!

A Caixa da Polenta

['A Caixa da Polenta]

Dentre as estórias das descobertas realizadas nos Mananciais da Serra, a da pequena represa da Polenta também merece destaque especial.

 

Retorno a realçar a importância do Sr. José Rocha de Barros, Seu Zezinho (já falecido) como era conhecido lá no Morro do Canal, nas descobertas que realizei.

 

Como já destaquei anteriormente, o Seu Zezinho foi morador por muitos anos nos mananciais, tendo trabalhado na manutenção dos sistemas de captação por longo período.

 

Em conversas com ele na sua residência ao pé do Morro do Canal, recebi preciosas informações sobre a localização de algumas estruturas, que já estavam “perdidas” nas matas dos mananciais.

 

Uma delas foi sobre a Caixa da Polenta. A referência passada pelo Seu Zezinho, era a de que se tratava de uma pequena represa localizada entre as caixas do Iporan e Passóca, no sentido da trilha do Ipiranga. Destaco que a partir da Caixa do Cayuguava, a estrada do Ipiranga passa a ser denominada como “trilha”, devido a seu estreitamento.

 A referencia para encontrar a represa passada por Seu Zezinho foi a seguinte:  “...depois da Caixa do Iporan, tem uma subida e antes da curva, veja no lado esquerdo um grande araçazeiro (arvore da fruta silvestre que produz o araçá). Abaixo do araçazeiro está a caixa.

 Com base nessa informação, no dia 20 de Setembro de 2012 fui até os mananciais. Após o rio Iporan, a trilha do Ipiranga se estreita e a caminhada até o ponto indicado demora uns 10 minutos. É um aclive de elevação suave, mas contínua, com um lodaçal no seu topo, formado por uma nascente que corria pela trilha do Ipiranga. Na curva da trilha no topo, não foi difícil encontrar um frondoso araçazeiro.

Para passar uma noção mais aproximada de como é o local, após esse ponto do aclive, a continuação do caminho no sentido do Ipiranga, a trilha  tem uma longa e continua descida. Ou seja, o ponto indicado pelo Seu Zezinho, ficava num pequeno morro.

A primeira parte da localização estava realizada. No ponto da curva e abaixo do araçazeiro se inicia um pequeno, mas profundo vale, ou na expressão do Seu Zezinho, uma “canhada” na mata.

A descida até um pequeno platô foi feita com dificuldade e acabei encontrando uma grande rocha que havia sido lapidada ou cortada em uma das faces. De meu ponto de vista, deduzi que a erosão causada pela enxurrada de chuvas, havia destruído a represa e que a rocha faria parte da estrutura.

Nesse ponto a água da pequena nascente encontrada na trilha acima, corria pelas rochas.

Como para baixo desta descoberta o vale se aprofundava, fiz fotos do local e encerrei as pesquisas da Polenta.

Em 2013, Seu Zezinho teve quadro de saúde agravado, tendo sido internado. Lembro que o visitei no Hospital das Clínicas, Curitiba. Em emocionante e derradeira conversa com meu amigo e guru, ele me perguntou sobre minhas descobertas na serra, em especial sobre a caixa da Polenta. Relatei que a chuva deveria ter desmoronado a estrutura e que a represa não existia mais. Seu Zezinho veio a falecer posteriormente.

Depois do falecimento, em uma conversa com seu filho, Dirso Pinto de Barros, relatei minha tristeza de não poder ter dado a noticia a seu pai, do achado da caixa intacta enquanto ele ainda estava conosco.

Expliquei sobre a dica que seu Zezinho me passou e de meu achado na serra. Para meu espanto, o Dirso me explicou que a caixa ficava bem mais abaixo na “canhada”, e que eu havia procurado no lugar errado.

Em Agosto de 2013 retornei aos mananciais. Chegando ao local do araçazeiro, comecei a descida do vale num ponto após a arvore de referência. Como já citei, nesse ponto é o topo de pequeno morro e o vale abaixo não permitia ver seu final. Com inclinação severa, fiz a descida com muito cuidado e após uns 10 minutos de penoso avanço cheguei ao fundo do pequeno vale.

Mas ainda não era possível ver qualquer estrutura. Só após uma pequena caminhada pelo leito da sanga que descia lá de cima da trilha do Ipiranga é que foi possível encontrar a caixa “perdida”. A primeira foto foi feita as 14hs20min do dia 02 de Agosto de 2013.

 Além da pequena represa, descobri sua linha de captação, dois ventiladores (sendo um de junção da linha de captação) e a adutora principal que trazia a água captada das caixas existentes no sentido do Ipiranga.

 Como a caixa estava no fundo do vale, era natural encontrar um outro caminho mais fácil para acessar o local.  Em 30 de Junho de 2014 tendo achado onde a adutora principal cruzava a estrada antes da caixa da Passóca, foi só seguir a adutora na mata  para chegar na represa da Polenta.

Nesse trecho, tubulação ainda é composta por manilhas de cerâmica, da época da construção da adutora. No caminho para a represa, encontrei uma seção da adutora passando por baixo de uma grande rocha, evidenciando o trabalho braçal realizado a época do assentamento das manilhas. A foto foi realizada as 10hs40min do dia 30.

Hoje é relativamente fácil acessar a Caixa da Polenta. Mas os percalços da descoberta e para encontrar o caminho foram difíceis.

Encerro o relato, com boas lembranças dessa aventura e com saudades do grande amigo, Seu Zezinho.

 No destaque, a primeira foto da caixa da Polenta , no dia 02 de Agosto de 2013.