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A Galeria de Pedra ou Granito

['A Galeria de Pedra ou Granito]

Outra descoberta muito interessante realizada nos sistemas de captação dos Mananciais da Serra, foi o de uma adutora toda construída em granito, com pedras cortadas e lapidadas.

 

A primeira descoberta de uma pequena seção dessa adutora inusitada aconteceu por acaso, em caminhada tentando encontrar a represa ou Caixa do Cayuguava – Velha. Era o dia 11 de Novembro de 2012.

 

Para entender o motivo desta descoberta é preciso relembrar a estória do achado da Caixa do Cayuguava – Velha, ocorrida em Agosto de 2012 (já contada neste site). Havia encontrado parte da caixa e precisava descobrir a estrutura completa.

 

Assim decidi efetuar uma investida pela mata, em um local acima do ponto onde estava a estrutura encontrada em Agosto daquele ano.

Decidi fazer isto em um trecho da Estrada do Ipiranga, no sentido para a da Caixa do Cayuguava, acima da trilha de acesso para a “Cayguava Velha”.

 

Saí do lado esquerdo do caminho, entrando na mata e tendo caminhado muito pouco entre as arvores e vegetação rasteira de meia altura, encontrei uma espécie de “calçada”, o que descobri muito mais tarde, ser a parte superior da adutora de granito.

 

Seguindo em frente pela “calçada”, poucos metros à frente encontrei uma construção quadrada no chão, com as paredes medindo aproximadamente trinta centímetros acima do solo, que depois “percebi” ser uma torre de ventilação. A estrutura estava fechada com uma tampa de metal. Para minha surpresa no interior havia muita água circulando, vindo de um lado por uma galeria de pedra e de outro, por cano de ferro fundido.

 

Como a vegetação era muito densa no sentido de onde vinha a água na galeria de pedra, após os registros fotográficos da torre de ventilação, segui o sentido do cano de ferro fundido. Descendo uma pequena elevação descobri que na verdade eram dois canos de ferro fundido, pois afloraram da terra. Caminhando alguns metros seguindo essa linha adutora, cheguei num pequeno curso de água, com a linha da adutora de dois canos, cruzando sobre esse “riacho”.

Mais tarde também descobri que o “pequeno” curso de água era o Rio Cayuguava. Quanto à linha da adutora com dois canos que terminavam na torre de ventilação, em Dezembro de 2014 identifiquei como sendo oriunda da Caixa do Iporan, que para efeito e organização de minhas pesquisas, denominei como a “Linha do Iporan”.

 

Voltando para nossa estória, desde 2011 quando estive pela primeira vez nas caixas dos Lacrimais (I e II) já tinha fotografado a jusante das pequenas represas, uma linha de pedra passando transversalmente ao curso das sangas dos Lacrimais.

 

Em algum momento que aqui não lembro em que ano foi, mas deve ter sido entre 2011 e 2012, cheguei a comentar com a Ana Cristina do Rego Barros, funcionária da Sanepar e a época gestora do CEAM e dos Mananciais da Serra, qual seria a origem daquelas estruturas de granito logo abaixo das caixas de captação. Cheguei a ventilar a possibilidade de serem ruínas de alguma construção, o que se mostrou estar incorreto.

Mas a constatação de que era uma longa galeria de granito só foi consolidada em Dezembro de 2012, com a descoberta de uma grande torre de ventilação a jusante das caixas dos Lacrimais, cuja estória também está neste site, como “O Ventilador do Lintio”.

 

Após o encontro do ventilador do Lintio, e tendo descoberto que a água chegava até este ventilador por uma galeria de pedra, segui esta linha, no sentido para as caixas dos Lacrimais, entendendo assim que os encanamentos de captação das caixas terminavam na adutora de pedra ou granito. Neste ponto da estória, só tinha uma pequena noção dessa adutora de pedra, na torre de ventilação descoberta no início deste relato e desta pequena seção entre as caixas dos Lacrimais e o “Ventilador do Lintio”.

 

Mas a linha completa da Adutora de Granito ainda estava por ser descoberta. Apesar de já ter realizado algumas incursões até a Caixa do Uru a partir de Janeiro de 2011 e fotografado a pequena represa e sua linha de captação, a descoberta de uma adutora cruzando a Sanga do Uru só foi realizada em 2013, pois a vegetação encobria a adutora suspensa acima da sanga, escondendo o encanamento,

 

Em Maio de 2013, descobri uma linha de adutora cruzando a Sanga do Uru. Uma bela construção com duas torres de ventilação nas extremidades, uma sendo a torre de junção da linha de captação da Caixa do Uru e outra apenas funcionando como “ventilador”.

 

Ao subir a pequena encosta onde foi construída a torre de ventilação, descobri que a adutora que chegava até aquele ponto era de pedra ou granito e que vinha da direção do Cayuguava. Na outra extremidade, a do ventilador de junção da captação, também era uma adutora de pedra, que seguia para as caixas dos lacrimais. Agora era só seguir as descobertas para ligar os pontos.

 

No ano de 2014, analisando o mapa dos mananciais de 1929 reproduzido pela Sra. Lorena de Pauli Cordeiro em 2008, foi possível encontrar todo o traçado da adutora, desde o início na Caixa do Cayguava, até o final na torre de ventilação ou Ventilador do Lintio. Era uma informação imperceptível para o leigo, mas muito importante para minhas pesquisas.

 

Este mapa demonstrava que a linha da adutora cruzava a Estrada do Ipiranga em dois pontos, antes da torre de ventilação descrita no início desta narrativa. Neste ano consegui avançar pela adutora de granito, a partir do ventilador na Sanga do Uru, em direção para a Caixa do Cayuguava.

O caminho por onde a adutora foi construída estava bem fechado, mas consegui sair na Estrada do Ipiranga. Mas dali a linha não estava aparente, somente um trecho mais a frente, no sentido para a Caixa do Cayuguava a direita na estrada, delineava o leito da adutora.

 

Para “unir” os pontos, resolvi fazer o traçado da adutora de pedra a partir do ventilador e da “calçada” de granito descoberta em 2012. Essa união foi facilmente realizada. Ainda faltava encontrar a junção entre a parte a direita da estrada com a linha que ia para a caixa do Uru.

 

Essa descoberta aconteceu por acaso em Julho de 2015, em uma visita a Caixa do Cayuguava Velha, quando caminhava pela Estrada do Ipiranga, antes da trilha de acesso para a caixa, no lado esquerdo da estrada, dentro da mata observei uma pequena elevação que não era natural. Adentrando a mata acabei encontrando mais uma torre de ventilação na Adutora de Granito. Essa descoberta permitiu encontrar a linha que cruzava a estrada novamente, no sentido para a Caixa do Urú. Toda a extensão da adutora de granito estava descoberta.

 

Devido à densa vegetação existente a época nos caminhos por onde a adutora de granito está assentada entre a Caixa do Lacrimal II e a Caixa do Urú, somente em Abril de 2015 após uma roçada efetuada pelo pessoal terceirizado da Sanepar, os Srs. Claudinei Sampaio e Antonio Galdino dos Santos (Nico), a ligação entre as caixas do Lacrimal II e Uru foi redescoberta oficialmente. Inclusive nesse trecho mais uma torre de ventilação foi encontrada, neste caso pelo Sr. Antonio Galdino. A torre de ventilação foi por mim batizada como “Ventilador do Nico”.

 

Ainda em Agosto de 2015, descobri mais um ventilador nesta adutora de granito. A torre de ventilação estava ao lado do deposito de cilindros de cloro, estrutura que foi apelidada de “ponto de ônibus” devido à similaridade entre as construções.

 

Nos documentos antigos reproduzidos no livro Água & Esgoto do Paraná – O que Dizem os Documentos Oficiais (1999), em relatório de 1919 consta a construção de nova caixa de captação no rio Cayuguava. É possível deduzir que a galeria de granito também foi construída nessa época, para retirar a água captada da nova caixa do Cayuguava.

 

Em conversa recente com o Sr. Osmair Rocha de Barros que trabalhou na Sanepar e que morou nos mananciais, obtive a informação que a adutora ou galeria de granito foi coberta na década de 1970. Essa ação de cobertura foi realizada face a constante necessidade de limpeza na galeria, pois a queda de folhas ou mesmo a queda de árvores e acesso de animais silvestres, demandava constante manutenção na galeria ao longo de sua extensão.

Então desde a sua construção em 1918 até a cobertura, a adutora era na verdade um canal de pedra a céu aberto.

 

Finalizo esta estória com saudades das caminhadas pelos locais da galeria e relembrando as emoções das descobertas, principalmente a surpresa em observar a quantidade de água circulando pela galeria.