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Jornal A Noticia

Transcrição da Edição de 07/10/1907 - Pg. 1

 

                           Saneamento

            Um formidável calcanhar de Achilles, a malfadada questão do Saneamento da Capital Paranaense.

   O governo transacto legou ao actual governo a mais deplorável situação, no que concerne ao assumpto de aguas e esgottos, cujos trabalhos, tão precipitadamente contractados, vieram-se realisando com repetidas soluções de continuidade e ônus avultados para os cofres públicos.

  Sabidas, por serem de há pouco, as opportunas providencias tomadas pelo detentores do poder no sentido de por os direitos Paranaenses à salvo da improbidade dos primitivos contractantes, tornando a importante questão affecta ao poder judiciário.

   O serviço telegraphico d’ “A Noticia” tem ultimamente fornecido ao publico minuciosos informes, dando conta dos projectos da sociedade que succedeo à Casa Nathan, de S. Paulo, com relação ao momentoso assumpto.

   Já pela palavra autorizada de conceituado advogado de nosso foro temos frisado a pilhérica renuncia de direitos dos primeiros contractantes em favor da referida sociedade, acentuando o excessivo do recebimento da taxa sanitária pelo praso de 10 annos.

  Segundo despacho telegraphico dado à estampa pela “A Noticia”, em sua edição ultima, causou grande pasmo no Rio a transmissão de um telegramma daqui, para o Jornal do Brazil, dizendo circular o boato que o governo do Paraná não acceitará a proposta da sociedade Nathan, por achar demasiado longo aquelle praso de 10 annos.

  Ora, o Governo Paranaense não deo conhecimento offcialmente das suas disposições com referencia àquella proposta, sendo suppositicias todas as conclusões a que, por emquanto se chegar. Não é justo, por isso, que se entre na apreciação de um acto do governo, conhecido apenas por mero boato.

   Continua citado despacho firmando ser voz geral que não apparecerá outro proponente offerecendo maiores vantagens.   Quanto a isto há a oppôr, como argumento sensato, a existência de avultados capitaes estrangeiros sem colocação e o grande interesse que o nosso Estado vai dia a dia accordando no velho mundo.

  Não sabemos ainda quaes sejam as predisposições do governo a tal respeito; mas temos por obvio que elle não deixará de proceder com máximo escrúpulo, consultando os legítimos interesses do Estado, havendo o recurso da concurrencia publica, cuja excellencia a ninguém é dado ignorar, e ainda, o da execução dos serviços administrativamente, sob a acção fiscalizadora do governo, mas horada, honestamente.

   É de pouco tempo ainda a dura lição recebida pelo Paraná com referencia à tal emprehendimento. E o insuccesso  que o povo paranaense testemunhou, sem assombros, afinal, porque era logicamente esperado, sirva ao menos de bom aviso à pratica de actos menos autoritários e despóticos do que aquelle que confiou, discricionariamente, aos engenheiros Alvaro de Menezes e Octaviano Machado a execução de tão importantes trabalhos

  Felizmente estes dois engenheiros desistem, em favor da Sociedade Nathan, dos direitos que ainda teem....pela falta de cumprimento de seus deveres!...