| Autor: |
José Carraro |
| Titulo: |
A caixa de areia do Salto. |
| Data da foto: |
17/07/2026 |
| Categoria: |
Outras Descobertas |
| Sub-Categoria: |
N/A |
Fiz a primeira imagem dessa estrutura em 08/09/2013. Ainda em setembro de 2013 conversei com o Sr. José Rocha de Barros (Seu Zezinho já falecido), que morou e trabalhou nos mananciais. Ele sabia da existência da estrutura, mas não tinha informações sobre sua finalidade ou funcionalidade.
Em setembro de 2026 retornei ao local, fazendo as medições da caixa e registrando novas imagens para este relato. A estrutura foi construída sobre uma grande rocha, com paredes em concreto armado e com fundo também em concreto.
Como funcionava a caixa de areia? Como não encontrei informações técnicas nos documentos antigos em que pesquisei, usei a IA (ChatGPT) para entender o processo. Segue a resposta:
“Considerando o contexto histórico de 1909, o sistema operava sob o conceito de Filtração Lenta em Areia, uma tecnologia consagrada no século XIX e início do século XX. Nesse tipo de engenharia antiga, a areia não funcionava apenas como um coador físico, mas sim como suporte para a criação de um biofilme purificador chamado schmutzdecke (coador) na camada superficial. Historicamente, para que um filtro lento funcionasse com segurança, no fundo da caixa era espalhada uma base de cascalho ou pedregulhos, com pedras maiores no fundo e pedriscos logo acima. Essa camada envolvia um tubo perfurado de drenagem para impedir que a areia escapasse e entupisse a saída da água. A camada filtrante acima seria de areia fina do próprio rio, com 30 a 50cm o que garantiria a retenção de turbidez e bactérias.”
No fundo da caixa, em uma das paredes laterais, encontrei um cano, que pode ter sido utilizado para a saída da água para captação, após a decantação. É uma hipótese.
Em algum tempo do passado ainda sem data definida, a caixa foi desativada. As paredes das laterais de menor medida foram parcialmente cortadas, e a adutora de captação da caixa do salto, foi instalada passando pelo interior da caixa. Essa configuração já foi encontrada assim em 2013.
Aqui nesse caso, temos uma situação interessante, possivelmente ocasionada pelo local onde a caixa de areia foi edificada: quando houve a desativação da caixa de areia, a adutora de captação foi instalada bem próxima da borda do vertedouro da Caixa do Salto. Essa alteração pode ter sido motivada pela altura do cano na sua instalação no interior da caixa de areia.
Em épocas de estiagem, a captação ficava reduzida ou não haveria captação. No muro da barragem existe outro cano de saída, bem mais abaixo de onde agora está instalado o cano de captação, indicando que a captação original era em outro ponto da barragem.
Nas demais caixas do sistema de águas dos mananciais, o cano de captação está localizado mais próximo do fundo das barragens, o que é uma situação lógica, pois em épocas de estiagem, a captação continuaria sendo realizada.
Em documentos dos anos de 1913 e 1917, encontramos citações sobre a “caixa de areia” no Salto:
-Jornal Diário da Tarde – 01/07/1913 Pg1: “...A da fonte do Salto entra para o cano geral depois de passar também por uma caixa de areia.”
“...1 kilometro para leste do chalet, na raiz quase da Serra Pelada, passa o rio do Salto, onde vimos outra represa cujas aguas são levadas por um tubo para a linha adductora encontrando-se com esta já no seu trajecto para Coritiba. A represa do Salto tem a sua caixa de areia e possue uma das melhores aguas da serra. Desde que o leito seja revestido de cantaria e seja feita uma coberta, pode fornecer agua explendida, sempre límpida e leve. A capacidade da represa do Salto é de 600 mil litros em 24 horas.”
- Transcrição do Relatório da Secretaria de Estado dos Negócios da Fazenda, Agricultura e Obras Publicas do Exercício de 1915 -1916, em 31/12/1916: “...Ribeirão do Salto, medido na respectiva caixa de areia: 668.240 litros.”
Medidas da caixa de areia: 2,30 metros de comprimento, por 1,70 metro de largura, por 1,00 metro de profundidade.
Localização: S 25°30'10'' W 48°59'07'' - Altitude: 1.029 metros