| Autor: |
José Carraro |
| Titulo: |
A caixa de areia no Reservatório do Carvalho. |
| Data da foto: |
29/09/2026 |
| Categoria: |
Outras Descobertas |
| Sub-Categoria: |
N/A |
Entre os anos de 1906 e 1917, encontramos várias citações sobre “caixas de areia” nos jornais antigos e também em relatórios anuais da Secretária de Obras do governo do Estado.
A construção dessas estruturas era destinada a realizar a filtragem da água pela decantação, com os resíduos ficando retidos na areia. Os relatos apontam a existência de “caixa de areia” no reservatório principal de acumulação – o reservatório do Carvalho.
Em uma única referência encontrada no relatório da Secretaria dos Negócios e Obras Públicas de 31/12/1908, consta: “Todo o aquedutcto é provido de caixa de areia convenientemente distribuídas.”; o que deduzi serem as torres de ventilação ou ventiladores, que também serviam para conter as impurezas da água.
No reservatório do Carvalho essa caixa de areia primitiva é a estrutura que atualmente denominamos como “filtro do reservatório”, por onde originalmente as águas do rio do Carvalho entravam no reservatório. A águas das demais caixas de captação, também passavam pela “caixa de areia”, entrando pela lateral direita da mesma, antes de irem para o reservatório de acumulação.
Em fotos antigas de 1907 é possível identificar por onde as águas do rio do Carvalho entravam na “caixa de areia”. Pela lateral direita da caixa vinha a adutora com a água captada nas demais represas.
Em outra foto, possivelmente das décadas de 50 ou 60, é possível verificar que ainda não haviam sido construídas as divisórias internas do filtro. Nessa foto é possível identificar a adutora de captação da Caixa do Carvalhinho. Também é possível verificar um cilindro que realizava a adição de cloro diretamente no reservatório, através de uma mangueira. Nessa época, iniciou-se o processo de adição do cloro na água.
As divisórias internas foram construídas entre os anos de 1984 e 1985, conforme depoimentos em 2026 dos irmãos Osmair Rocha de Barros e Adir Rocha de Barros. Os irmãos informaram também que seu pai, o Sr. José Rocha de Barros – seu Zezinho (já falecido), denominava o filtro como “caixa de areia”. Seu Zezinho e os filhos, moraram e trabalharam nos mananciais.
Nas divisórias dos fundos da “caixa de areia” foram edificadas calhas de dosagem, ”de concreto armado”, onde eram despejados os produtos químicos utilizados no tratamento da água, como carbonato de sódio (barrilha leve). O fluxo contínuo da água promovia a dissolução imediata do composto alcalinizante.
O carbonato de sódio era adicionado na água para estabilizar a alcalinidade, ajudando a proteger os canos de ferro fundido e construções de concreto, contra a corrosão.
Na sequência, a transcrição dos relatos antigos vinculados ao Reservatório do Carvalho:
-Jornal A República – 14/04/1906 Pg1:“...À represa geral do Carvalho veem ter as aguas de cinco ribeirões e três corregos ahi conduzidos por um aqueducto que, partindo do principal affluente, o Caiguava, recebe no trajecto as aguas dos corregos Mico, Tangará e Urú e ribeirões Braço do Carvalho, Salto e Carvalho propriamente dito. Antes, porém, de darem entrada na represa passam as aguas por uma caixa de areia onde soffrem a decantação, de modo a evitar que na linha aductora sejam introduzidas impurezas arrastadas pela correnteza.”
“...Na repreza geral cujos trabalhos estão muito adiantados, estão adoptados apparelhos para descarga e lavagem, não só da repreza, como também da caixa de areia, e de modo a permitir o funccionamento de ambas simultaneamente ou de uma só quando a outra estiver em trabalhos de limpeza.”
-Relatório do Secretario dos Negócios de Obras Públicas e Colonização do Paraná ao Presidente do Estado do Paraná – 31/12/1908: ”... . Foi também modificada a entrada da agua pelo aqueducto, que agora é feita para a caixa de areia, quando era directamente encaminhada para a repreza.”
-Jornal Diário da Tarde – 25/12/1910 Pg1: ”... um bom índice de potabilidade para as aguas que se destinam ao abastecimento de Coritiba e que são captadas não somente no ribeirão do Carvalho, mas também nos ribeirões do Cayguava, Mico, Urú, Carambola, braço do Carvalho, cujas aguas reunidas em um aqueducto, vem ter à caixa de areia que precede a grande represa construído sobre o antigo leito daquele e donde parte a linha adductora...”
-Jornal Diário da Tarde – 01/07/1913 Pg1: “...A agua canalisada para a caixa de areia da represa do Carvalho, antes de entrar no cano adductor a livra entretanto de certas impurezas e detrictos.”
“...As fontes que correm para a caixa de areia do Carvalho, são tão insufficientes que para enchel-a, demoram 42’.”
“... Ao lado do tanque grande está a caixa de areia, que pela esquerda, recebe as aguas da represa do Braço do Carvalho, Cayanbora, Mico, Urú e Cayguava e pela direita as do arroio Carvalho, que passa perto. A caixa de areia serve para em seu fundo ficarem retidas as impuresas pesadas, vidas pelos tubos “dos mananciaes”, taes como folhas, areias, etc., essa caixa que tem 3 metros de largura por 4 de comprimento e 8 de fundura é lavada semanalmente exgottando-se por meio dum cano independente e cujo registro defronte a muralha do tanque mor a que acima nos referimos. Para se encher, na nossa presença, a caixa de areia levou 42 minutos, sendo que em época de abastança dagua são gastos apenas 30 minutos.”
- Relatório da Secretaria de Estado dos Negócios da Fazenda, Agricultura e Obras Públicas do Exercício de 1915 -1916, em 31/12/1916: “...Volume fornecido pelos mananciaes Carvalho, Braço do Carvalho, Carambolas, Tangará, Mico e Cayguava medido na caixa de areia do reservatório geral do Carvalho a qual tem 103m³.569.720 de capacidade útil: 3.151.800 de litros.”
- Jornal Diário da Tarde – Edição de 09/10/1917 Pg1: “...As que entram no reservatório do Carvalho, cahem primeiro numa caixa cheia de areias, que chamam de philtro. Mas, nesse pseudo philtro, a areia é revolvida pela força da agua, de maneira que em vez de passar philtrada, ella passa carregada com a lavagem de areia e assim entra logo nos aductores.”
Medidas da “caixa de areia”: Na foto principal, as medidas das laterais e divisórias.
Sobre a profundidade vale destacar: No relato do Jornal Diário da Tarde de 01/07/1913, cita que a caixa de areia tinha “8 metros de fundura”. Em setembro de 2026, quando tirei as medidas da “caixa de areia”, o interior estava com água. Até a linha da água a medição deu 4 metros de profundidade.
Para ter a informação correta recorri ao amigo Claudinei Sampaio, que por mais de 14 anos fez trabalhos de manutenção e limpeza nas caixas de captação e nos caminhos e trilhas dos mananciais. Como o Claudinei já havia realizado limpeza no reservatório do Carvalho e no interior do filtro, confirmou que a profundidade é mesmo de 8 metros, pois utilizava uma escada de 7 metros para acessar o interior do filtro.
Localização na parte dos fundos do reservatório do Carvalho: S 25°29'47'' - W 48°58'51'' - Altitude: 1020 metros.