| Autor: |
José Carraro |
| Titulo: |
A movimentação dos canos de ferro fundido na serra. |
| Data da foto: |
18/12/2024 |
| Categoria: |
Adutora de Curitiba |
| Sub-Categoria: |
N/A |
Para os visitantes que já viram pessoalmente os pequenos trechos da Adutora de Curitiba nos Mananciais da Serra, seja logo abaixo do Reservatório do Carvalho ou nas proximidades da Vila Operária, desperta a curiosidade de como essas peças extremamente pesadas, eram movimentadas e como foram assentadas dentro da mata.
Vale sempre relembrar que o assentamento dessa linha adutora foi realizado entre 1905 e 1908, onde as técnicas de engenharia eram rudimentares e o trabalho era essencialmente executado de forma manual.
Considerando fotos antigas já publicadas neste site, de visitas realizadas nos canteiros de obras em 1906, podemos considerar que os canos de ferro fundido de 4 metros de comprimento e 450mm de diâmetro eram “estocados” nas proximidades de onde hoje temos o “bebedouro do Leão”, pois na mencionada foto é possível verificar uma construção em forma de barracão. É logico que os canos não ficavam nesse barracão, mas a céu aberto, nas proximidades.
Para o transporte dos canos entre o ponto de estocagem até os locais de assentamento no meio da mata, podemos deduzir que o método utilizado era o de colocar as peças em trenós de madeira (como na imagem 1 abaixo, criada com IA), tracionado por muares ou bois.
Na imagem n° 2 das fotos adicionais, uma criação feita com IA de como poderia ter sido transportado os canos até o local de assentamento.
Em uma foto encontrada na Internet, datada de 1923 relativa as obras de uma adutora entre Cotia e Pinheiros em São Paulo, um exemplo de transporte de cano com carro de boi (Imagem 3 abaixo).
A engenharia utilizada entre 1904 e 1908 para o posicionamento do cano com 475 kg e o assentamento final nas valetas abertas manualmente, dependia exclusivamente do princípio de alavanca com toras de madeira ou barras de ferro robustas, manobradas por equipes de três a cinco homens.
Cavaletes e Roldanas (Tripés): Estruturas tripés de madeira equipadas com moitões (roldanas de bronze ou madeira) e cordas de sisal eram montadas sobre as valas para erguer o tubo do transporte e baixá-lo com relativa precisão no local de assentamento. Veja imagens 4 e 5 abaixo).
Na imagem 5, um exemplo da dificuldade para içar e assentar a adutora sobre o Ribeirão do Salto.
Vendo essas imagens, mesmo não sendo reais no aspecto de que não foram registradas à época dos fatos nos Mananciais da Serra, permanece a realidade de que o trabalho manual foi extremamente extenuante. Mas a técnica utilizada foi perfeita, pois a adutora de Curitiba permanece intacta e operacional, mesmo passados mais de 100 anos.