| Autor: |
José Carraro |
| Titulo: |
A origem dos canos da adutora suspensa na Sanga do Urú. |
| Data da foto: |
26/08/2026 |
| Categoria: |
Adutora do Res. do Carvalho |
| Sub-Categoria: |
N/A |
A instalação da linha suspensa deve ter ocorrido entre 1918 e 1920, quando foi construída a nova represa no rio Cayguava, com o abandono da caixa original do Cayguava construída em 1906. O motivo dessa desativação foi que a água represada ficava poluída por haver uma área de banhado a montante da caixa.
Para captação na nova represa do Cayguava, uma adutora de pedra ou granito foi construída. No caso da Sanga do Urú, a adutora de granito passou em local acima de onde fora construída uma caixa de captação (1909 ou 1910). Então uma nova represa foi construída em data aproximada entre 1918 e 1920, a montante da antiga caixa onde a linha da adutora de pedra iria cruzar a Sanga do Urú.
Vale lembrar mais detalhes da construção da linha suspensa: Nas duas extremidades temos duas torres de ventilação, estruturas destinadas a manutenção para limpeza de detritos e principalmente, para saída do ar do sistema de canalização. Em uma das torres também é o ponto de junção da linha de captação da Caixa do Urú com a rede de captação das represas acima deste ponto (Cayguava, Iporan, Polenta, Passóca, Ipiranguinha, Bode, Cabra e Ipiranga).
Apesar de ter registrado as primeiras fotos da Caixa do Urú em abril de 2007, de ter feito novos registros em junho de 2011, foi somente em maio de 2013, que descobri haver uma adutora suspensa cruzando a Sanga do Urú, em local a jusante da caixa de captação.
Como as roçadas e manutenções das adutoras foi suspensa a partir de 1998, a vegetação acabou encobrindo parte da adutora suspensa. Também a trilha de acesso para a caixa de captação, a partir da estrada do Ipiranga, estava parcialmente fechada. Esses fatores fizeram com que minha atenção fosse direcionada apenas para a linha de captação da caixa e da represa existente naquela sanga.
Mas depois de 2013 nas visitas que fiz ao local, o visual da adutora suspensa sempre atraiu minha atenção, devido à complexidade da construção e do trabalho que deve ter sido empregado para elevar os canos naquelas posições acima da sanga.
Todo esse preambulo histórico era necessário ser registrado para entendimento da descoberta que fiz em agosto de 2026. Como já foi documentado neste site, em 2026 também consegui identificar de onde as tubulações de ferro fundido foram importadas, no período da construção do Reservatório do Carvalho – de 1904 a 1908.
Como já tinha encontrado inscrições gravadas nas bolsas dos canos de ferro fundido na adutora de Curitiba (descrito neste site em Adutora de Curitiba/A origem Belga), resolvi investigar essa possibilidade nos canos da adutora suspensa do Urú. O resultado foi positivo.
Os canos utilizados nessa obra também foram importados de Liege na Bélgica, da Compagnie Générale des Conduites d'Eau — frequentemente abreviada como “Cie Gle des Conduites d’Eau ou Cie Gle Liege. No caso específico, os canos tem a inscrição Cie Gle LIEGE.
Sobre a inscrição nos tubos de ferro fundido não há qualquer dúvida sobre sua origem. A adutora suspensa é composta por quatro seções de canos de 250mm assentados em duas grandes bases de granito, construídas sobre as encostas da sanga do Urú.
A adutora está suspensa a uma altura aproximada de cinco metros do leito da sanga do urú.
Das pesquisas realizadas nos documentos históricos – relatórios governamentais ou em jornais da época, não encontrei descrições pormenorizadas ou de datas específicas sobre a construção da adutora suspensa. Então minha análise aqui descrita se baseia em fragmentos históricos encontrados nos mesmos documentos.
Nas fotos adicionais, as inscrições encontradas nos canos suspensos.
Localização: S 25°29'03'' - W 48°58'23'' - Altitude: 1036 metros.