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Detalhe do Acervo: A planta do Projeto de Elevação do Cayguava.

['A planta do Projeto de Elevação do Cayguava.]
Autor: José Carraro
Titulo: A planta do Projeto de Elevação do Cayguava.
Data da foto: 01/01/1921
Categoria: Casa da Bomba
Sub-Categoria: N/A

Recentemente descobri que tinha uma imagem de uma planta do Projeto de Elevação das águas do rio Cayguava. Na verdade, essa planta foi publicada no livro “Sanepar Ano 30 - Resgate da Memória do Saneamento Básico do Paraná”, publicado em 1994, de Zair Lorival Luiz Schuster.

Em 1919, o Governo do Estado contratou o engenheiro Francisco Saturnino Rodrigues de Brito, famoso por seus projetos de saneamento no Brasil, para elaboração de um novo sistema de abastecimento de água e coleta de esgoto da Capital. Um dos projetos previa a elevação do Cayguava, o qual foi entregue por Saturnino de Brito ao governo em 1921, sendo executado nos anos de 1924 e 1925.

Embora conste do livro de 1994, a publicação não menciona outras informações sobre a execução do projeto. Apenas a publicação da famosa foto do interior da Casa da Bomba, com o locomóvel Assmann Stockder.

Analisando a planta de 1919, é possível verificar que a proposta previa o desvio do curso do rio Cayguava, com a construção de uma canaleta que derivava a água para o leito do rio do Carvalho. Inclusive mostra uma barreira de terra logo após o canal de derivação, para alterar o curso do rio. 

Em relatórios do Governo do Estado de 1924 e também em matérias de jornais do mesmo ano, a informação era a de que a Casa da Bomba seria construída na foz do rio do Carvalho e que a elevação seria das águas do rio Cayguava.  Porém, a foz do rio do Carvalho, era depois do local projetado para a Casa da Bomba.

Com a construção do Canal de Derivação, a foz do rio do Carvalho foi “alterada”, ficando o encontro com as águas do rio Cayguava, em um ponto antes da captação para elevação na Casa da Bomba.

Isso fica evidenciado na foto da Casa da Bomba (sem uma data precisa - tirada entre os anos de 1935 e 1945), onde é possível identificar o canal de derivação do rio Cayguava, o leito do rio do Carvalho, a “caixa de captação” para a elevação na Casa da Bomba, e a linha de recalque, nos fundos do prédio.

A localização da Casa da Bomba parece ter sido definida não apenas por critérios hidráulicos, mas também pelas condições topográficas e geotécnicas do terreno. A planta de 1921 indica que o projeto previa a derivação do Rio Cayguava por meio de um canal artificial, conduzindo a água até um ponto específico escolhido para a implantação da estação elevatória. Tal solução sugere a busca por um local com fundações mais estáveis, protegido das cheias e adequado para suportar o pesado conjunto mecânico composto pela bomba Sulzer (5 a 8 toneladas) e pelo locomóvel Assmann-Stockder (70 toneladas).

A construção de uma caixa de captação para sucção pela bomba, também tinha sua função técnica: reduzia a turbulência do curso dos rios; os sedimentos ficavam no fundo da  represa evitando o assoreamento e garantia a alimentação mais regular do sistema de elevação da água.

Nas fotos adicionais, imagens antigas da Casa da Bomba, fotos de minha autoria das fundações do prédio tiradas em agosto de 2020; e também uma planta baixa “hipotética” criada com IA, com base nas informações que encontrei sobre o projeto.

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