| Autor: |
José Carraro |
| Titulo: |
Adutora de Curitiba – A origem Belga. |
| Data da foto: |
06/05/2026 |
| Categoria: |
Adutora de Curitiba |
| Sub-Categoria: |
N/A |
A última grande descoberta da história dos mananciais que ainda faltava registrar, era encontrar informações de onde vieram os canos da adutora que ligou os Mananciais da Serra em Piraquara/PR, ao Reservatório do Alto de São Francisco em Curitiba.
Durante minhas pesquisas na Adutora de Curitiba, no trecho entre o Reservatório do Carvalho e a Vila Operária, encontrei quatro equipamentos denominados como registros de descarga e um registro de manobra. Dos registros de descarga, três contém a inscrição em alto relevo ”Cie Gle - Liege” e o número 450, gravados no corpo do equipamento. O último (Nº 7), está enterrado nas proximidades da casa número um da Vila Operária. Mas como o cano de descarga é de 450mm, provavelmente também continha a inscrição Liege. No registro de manobra, as inscrições são iguais: “Cie Gle Liege” e 450.
Inscrições “Cie Gle Liege e 450” também foram encontradas nos quatro registros (três de descarga e um de manobra), no início da adutora de Curitiba, abaixo do vertedouro do Reservatório do Carvalho. O número 450, refere-se ao diâmetro interno de 450mm compatível com o mesmo diâmetro dos canos da linha adutora.
A Fundição de Liege – Bélgica.
Com relação a palavra Liege, descobri ser de uma cidade da Bélgica e por algum tempo pesquisei na Internet (quando não existia a IA ou ChatGPT), tentando encontrar a fundição de origem das peças que foram instaladas nos Mananciais da Serra. Também descobri que Liege era famosa no final do século XIX e início do século XX, por sua indústria siderúrgica.
Mas não havia pesquisado sobre a inscrição “Cie Gle". Na descoberta que fiz em fevereiro de 2026, do último registro de descarga (N°6) encontrei a mesma inscrição. Imaginando ser um equipamento instalado em algum tempo diferente da época da construção, e não verificando as fotos dos outros registros (n° 1 e 2), efetuei nova pesquisa, desta vez utilizando o ChatGPT (IA):
“A Compagnie Générale des Conduites d'Eau — frequentemente abreviada como “Cie Gle des Conduites d’Eau” — foi uma das mais importantes indústrias metalúrgicas e hidráulicas da Bélgica, entre o final do século XIX e a metade do século XX. Sua fábrica principal ficava no bairro de Vennes, em Liège, região industrial fortemente ligada à siderurgia e à fabricação de tubos de ferro fundido para abastecimento de água e gás.
A empresa surgiu oficialmente em 1865, herdando antigas fundições dos Vennes que existiam desde os séculos XVI e XVII. Produzia: tubos de ferro fundido para redes de água; hidrantes; válvulas; bombas; conexões hidráulicas; equipamentos para sistemas urbanos de saneamento e distribuição de gás.
Nos anos 1900, a companhia tornou-se praticamente uma multinacional do saneamento. Ela exportava para Europa, América Latina, África e Ásia. O período coincidiu com a modernização dos sistemas urbanos de água potável em várias cidades brasileiras.
No Brasil, a presença da empresa ocorreu principalmente por meio de: exportação de tubos e equipamentos hidráulicos; participação indireta em obras de abastecimento de água; fornecimento para companhias estaduais e municipais; catálogos técnicos usados por engenheiros e importadores brasileiros.
Muitas peças importadas da Bélgica nessa época traziam marcas fundidas como:“Cie Gle Liège”;“C.G.C.E.”;“Vennes-Liège” e“Conduites d’Eau Liège Belgique”. Essas inscrições ainda aparecem em tampões, registros, hidrantes e tubos antigos encontrados em cidades brasileiras.”
Assim, na construção do primitivo sistema de captação de água nos mananciais da serra em Piraquara/PR, entre os anos de 1904 e 1906, a Cie Gle des Conduites d’eau de Vennes -Liege na Bélgica, foi a fornecedora dos registros de descarga e de manobra de 450mm, instalados na saída do Reservatório do Carvalho, e no trecho da Adutora de Curitiba, locais de minha pesquisa.
Faltava a última confirmação, relacionada aos tubos da adutora. Em maio de 2026 pesquisando no trecho da adutora de Curitiba, onde está instalado o registro n° 5, encontrei gravações na “bolsa” do cano, com o número 450mm e 453mm. Com essa informação de onde poderia estar a “chave” para confirmar a origem, fui até a linha da adutora, nas proximidades do Reservatório do Carvalho.
Analisando a mesma parte da emenda (bolsa) de uma seção do cano da adutora de Curitiba, assentada sobre o rio do Carvalho, encontrei a seguinte inscrição, reproduzida nas fotos adicionais: Cie Gle Liege – 450. Os canos da adutora também foram importados de Liege, na Bélgica.
Aproveitando minha pesquisa na adutora, fiz a medição de algumas seções instaladas. Cada tubo mede 4,00 metros. Considerando que a linha da adutora até Curitiba tinha 32.000 metros, perto de 8.000 tubos foram assentados na adutora. Na conta “aproximada” de 8.000 unidades, devemos descontar as passagens por rios e emendas; e também os registros de descarga instalados no percurso, pois era necessário a adoção de tubo em “T”, o qual possuía medida inferior a 4,00 metros.
Na foto principal, a seção da Adutora de Curitiba, onde encontrei a inscrição “Cie Gle Liege”. Nas fotos adicionais, imagens de cartões postais do pátio da Cie Gle des Conduites d’eau (1900 a 1905). Detalhe importante de uma das fotos antigas: mostra as formas onde eram usinados os canos de ferro fundido. Também adiciono fotos dos registros de descarga e de manobras, acima mencionados.
Localizações dos equipamentos Cie Gle Liege:
Saida do Res. do Carvalho - S 25°29'47'' - W 48°58'53'' - Altitude: 1015 metros.
Registro de Descarga n°1 - S 25°29'45'' - W 48°59'01'' - Altitude: 1003 metros.
Registro de Descarga n°2 - S 25°29'43'' - W 48°59'07'' - Altitude: 989 metros.
Registro de Manobra na Chaminé de Equilíbrio -S 25°29'41'' W 48°59'09'' - Altitude: 1008 metros.
Registro de Descarga n°6 - S 25°29'33.7" W 48°59'35.3” - Altitude: 976 metros.