| Autor: |
José Carraro |
| Titulo: |
Foto comparativa de 1906 e de 2024. |
| Data da foto: |
31/12/1969 |
| Categoria: |
Outras Descobertas |
| Sub-Categoria: |
N/A |
Em 2014 a amiga Ana Cristina Rego de Barros que administrava o CEAM – Centro de Educação Ambiental da Sanepar e também os Mananciais da Serra, me passou uma foto da visita nos mananciais, do engenheiro Álvaro de Menezes, um dos engenheiros responsáveis pelas obras iniciadas em 1904. A foto possivelmente é do ano de 1906.
A indicação de que a foto é do ano de 1906, pode ser confirmada pelo seguinte registro documental do jornal A Republica, edição de 13 de agosto de 1906, pagina 2, que transcrevo a seguir:
“... Saneamento – Foram ontem, à Roça Nova, em visita às obras das reprezas das aguas destinadas ao abastecimento desta capital, os srs. drs. Francisco Beltrão, Alvaro de Menezes, João Pernetta, Alvaro Cardoso e diversos auxiliares, s. s. demoraram-se ainda hoje, n’aquelle local em visita ao serviço dos aquedutos.”
Esse é o único registro documental encontrado até o momento desta publicação, relativo à visita de Álvaro de Menezes nas obras da serra. Assim, a foto foi tirada em 12 de agosto de 1906, um domingo, por fotógrafo levado junto com a comitiva que visitou as obras na serra. Pela descrição da notícia, fica entendido que o repórter do jornal A Republica também fazia parte do pessoal que esteve nos mananciais.
Na foto antiga, além do engenheiro mais três pessoas foram fotografadas em uma cachoeira. Considerando as cachoeiras existentes nos rios dos mananciais, a mais próxima do reservatório do Carvalho, fica no rio do Carvalho abaixo de onde atualmente está instalada a roda d’água, e da ponte sobre o mesmo rio.
Em 2016 e 2024 fiz alguns registros fotográficos do local, procurando imaginar onde o fotografo da foto antiga esteve posicionado, para fazer o registro da visita do engenheiro e convidados.
Agora em 2026, com a ajuda do ChatGPT, coloquei a imagem antiga de 1906 e uma de minha autoria de 2024, para avaliação técnica e comparativa. O resultado foi o seguinte:
“As características geomorfológicas observadas na fotografia histórica de 1904 apresentam elevada compatibilidade com a corredeira documentada nas fotografias contemporâneas. A configuração em lajeado inclinado, o escoamento em múltiplos patamares, a largura relativa da queda e o encaixe do curso d'água em ambiente florestal sugerem fortemente tratar-se do mesmo acidente natural ou de um trecho imediatamente adjacente do mesmo curso d'água. Entretanto, a resolução limitada da imagem histórica impede confirmação definitiva."
Análise de detalhes das fotos realizadas por IA:
1.Soleira rochosa superior. A emerge de uma soleira relativamente horizontal, imediatamente abaixo da estrutura da roda d'água. Na fotografia de 1906, observa-se algo semelhante: a água parece surgir de um patamar superior antes de se espalhar sobre a laje principal. Esse é um ponto favorável à correlação.
2. Degrau intermediário central. Na imagem de 2024 existe um degrau bem definido no centro da corredeira. A água cai alguns decímetros e depois se espalha novamente. Na foto de 1906 percebe-se uma descontinuidade semelhante aproximadamente na mesma posição relativa do conjunto.Esse é um dos elementos mais interessantes, porque degraus erosivos costumam permanecer praticamente inalterados por séculos. Compatibilidade: alta.
3. Grande laje inclinada inferior. A região frontal mostra um afloramento amplo e contínuo. O escoamento atual ocorre sobre: uma superfície lisa; levemente inclinada; com algumas fraturas longitudinais. Na foto de 1906 existe uma grande superfície clara sobre a qual a água se espalha exatamente da mesma forma. Compatibilidade: alta.
4. Margem direita encaixada. Na foto de 2024 observa-se claramente: uma pequena reentrância escura; um canal lateral mais profundo; vegetação densa pendente. Na fotografia de 1906 existe uma área escura semelhante no lado direito da queda. Embora a resolução antiga seja insuficiente para confirmação, o padrão é compatível.
5. Margem esquerda mais aberta. Na imagem atual: a margem esquerda apresenta um espaço mais amplo; o canal parece menos encaixado; existe uma área relativamente livre de vegetação junto ao fluxo. Na foto de 1906 o lado esquerdo também aparenta ser mais aberto. Mais um elemento compatível.
Outra questão refere-se sobre que tipo de equipamento fotográfico foi utilizado para registrar a visita do engenheiro às obras dos mananciais. Como grande parte do conteúdo deste site foi criado com base em fotografias tiradas nos Mananciais da Serra, é natural tentar descobrir com qual equipamento fotográfico a foto de 1906 foi registrada. Para tanto, novamente a IA pode ajudar nessa pesquisa. Eis o resultado.
“Se a fotografia foi feita em 1906 durante uma visita técnica às obras dos Mananciais da Serra, o mais provável é que o fotógrafo estivesse usando uma das seguintes categorias de câmera:
Câmeras dobráveis Kodak (muito prováveis): Estas eram relativamente leves, portáteis e já estavam amplamente difundidas entre viajantes, engenheiros, jornalistas e fotógrafos amadores avançados.
A linha Folding Pocket Kodak havia sido introduzida no final da década de 1890 e estava em pleno uso em 1906. Os modelos utilizavam filme em rolo, possuíam fole retrátil e eram muito mais práticos para excursões em regiões montanhosas do que as antigas câmeras de estúdio.
Câmeras de chapas usadas por fotógrafos de imprensa: Se o fotógrafo era realmente um jornalista vinculado a um jornal importante de Curitiba, Rio de Janeiro ou São Paulo, existe outra possibilidade bastante interessante: A câmera alemã Goerz Anschutz era típica dos fotógrafos de imprensa da época e utilizava chapas fotográficas de vidro. Era mais pesada, mas produzia negativos de qualidade muito superior.
O que a própria fotografia sugere? Analisando a imagem histórica da cachoeira dos mananciais, a resolução original parece relativamente alta para 1906; os personagens no topo da queda ainda são distinguíveis; há boa profundidade de campo; a imagem parece ter sido feita de um ponto relativamente distante.
Essas características lançam a suspeita que o original tenha sido obtido em chapa de vidro, não em pequeno filme Kodak.
Na engenharia brasileira daquele período era muito comum que: engenheiros contratassem fotógrafos profissionais; as fotografias fossem produzidas para relatórios técnicos; fossem utilizadas chapas secas de vidro de grande formato.
Considerando: a importância da obra dos Mananciais da Serra; a presença do engenheiro responsável na fotografia; a qualidade aparente do registro; o fato de a imagem pode ter sido posteriormente publicada em jornal.
Tipo de equipamento Probabilidade
Câmera de chapas de vidro (fotógrafo profissional 60-70%
Fonding Pocket Kodak 20-30%
Outro equipamento portátil da época 10%
O mais provável é que o fotógrafo estivesse carregando algo semelhante a uma câmera de chapas dobrável alemã ou inglesa, montada eventualmente sobre tripé leve, produzindo negativos em vidro que depois foram reproduzidos na imprensa.
Isso também explicaria por que a fotografia conseguiu registrar uma cena relativamente ampla da corredeira e ainda preservar detalhes suficientes para identificarmos pessoas sobre as rochas mais de 120 anos depois.
Na foto de 1906, os homens posicionados sobre a corredeira parecem estar deliberadamente posando para a câmera, algo muito típico da fotografia técnica e institucional da época. Isso sugere mais uma fotografia planejada do que um flagrante jornalístico.
Por essa razão, a mais provável hoje seria: câmera de chapas de vidro alemã ou inglesa de campo; tripé de madeira; fotógrafo profissional contratado para documentar as obras dos Mananciais da Serra; não necessariamente um repórter comum de jornal. Esse cenário é bastante compatível com a prática adotada em grandes obras públicas brasileiras, entre 1900 e 1910.”
Nas fotos adicionais, comparativo entre as imagens de 1906 e 2024, a reportagem da visita em 1906 e o possivel tipo de camera fotográfica utilizada para registar os visitantes na canhoeira do rio do Carvalho.
Local da foto de 1906 e 2024: S 25°29'46'' - W 48°58'54'' - Altitude: 1.008 metros.