X

Fale Conosco:

Aguarde, enviando contato!

Detalhe do Acervo: Os equipamentos da Casa da Bomba.

['Os equipamentos da Casa da Bomba.]
Autor: José Carraro
Titulo: Os equipamentos da Casa da Bomba.
Data da foto: 01/01/1928
Categoria: Casa da Bomba
Sub-Categoria: N/A

Como já foi descrito neste site, os equipamentos utilizados na elevação das águas do rio Cayguava, na foz do rio do Carvalho foram instalados entre 1924 e 1925.

Para tanto foi construído um prédio de 100m² - a “Casa da Bomba” – com a instalação do locomóvel a vapor fabricado pela Assmann & Stockder com capacidade 97-139 HP, que acionava uma bomba centrifuga fabricada pela empresa Sulzer, com capacidade de 50 litros por segundo. Esse conjunto elevava a água a 90 metros, com a adutora de recalque medindo 2.540 metros, conectando-se com a Adutora de Curitiba, no ponto hoje conhecido como “Chaminé de Equilíbrio”.

Algumas informações sobre a origem dos equipamentos (fonte ChatGPT):

Assmann & Stockder. Fabricante alemã de máquinas a vapor, fundada em Cannstatt, região de Stuttgart na Alemanha. A empresa surgiu no final do século XIX e especializou-se principalmente na fabricação de locomóveis a vapor (Dampflokomobilen), tanto estacionários quanto transportáveis, utilizados para acionar bombas hidráulicas, serrarias, fábricas, moinhos e equipamentos industriais.

Os locomóveis da empresa eram reconhecidos pela robustez e pela capacidade de operar em locais sem fornecimento de energia elétrica, característica extremamente importante em obras de infraestrutura no início do século XX.

Configuração do sistema da Casa da Bomba de 1925:

Casa da Bomba com 100m² construída na foz do rio do Carvalho no rio Cayguava;

Locomóvel estacionário a vapor da Assmann & Stockder – 97/139 HP;

Bomba centrífuga Sulzer;

Linha de recalque com 2.540 metros, assentada com tubos Mannesmann de 300mm;

Chaminé para geração de tiragem da caldeira.

A energia para mover a bomba era fornecida pelo locomóvel através de transmissão mecânica por volante, correias ou acoplamento direto, conforme a configuração adotada na instalação.

Importância tecnológica: Em 1925, a eletrificação ainda não alcançava de forma confiável regiões remotas da Serra do Mar paranaense. Por isso, o uso de um locomóvel de grande potência representava uma solução moderna e segura para garantir o abastecimento de Curitiba.

A logística do transporte do locomóvel: Considerando o peso do equipamento, em torno de 70 toneladas, com o destino final no canteiro de obras nas margens do rio Cayguava, é provável que tenha vindo desmontado, sendo remontado no local de instalação.

Nas fotos adicionais, um mapa com a rota provável que o equipamento percorreu desde a fábrica em Cannstatt, região de Stuttgart na Alemanha, até o porto Don Pedro II em Paranaguá/PR.

 

A bomba centrifuga Sulzer.

Em 1925, a fábrica da Sulzer estava entre os mais avançados complexos de engenharia mecânica da Europa. A empresa tinha sede em Winterthur na Suíça e já acumulava mais de 90 anos de experiência na fabricação de máquinas, fundidos, motores e sistemas hidráulicos.

A Sulzer começou fabricando bombas já em 1834, quando os irmãos Johann Jakob e Salomon Sulzer fundaram a empresa. Inicialmente eram bombas de combate a incêndio, mas ao longo do século XIX a produção evoluiu para bombas centrífugas industriais, bombas de drenagem, irrigação e abastecimento de água. A produção em série de bombas centrífugas ocorreu desde a década de 1860.

Na década de 1920 a Sulzer já era reconhecida mundialmente pelas:

Bombas centrífugas para abastecimento urbano;

Bombas para estações elevatórias de água;

Bombas de drenagem e irrigação;

Equipamentos para saneamento;

Bombas para usinas e indústrias químicas.

 

Em 1925 a unidade de Winterthur era um enorme complexo industrial composto por: Fundições de ferro e aço; oficinas de usinagem pesada; setores de montagem mecânica; laboratórios de ensaio hidráulico; departamentos de projeto e desenho técnico; pátios ferroviários próprios para expedição de equipamentos.

As bombas eram fabricadas com carcaças fundidas de grande porte e posteriormente usinadas com tolerâncias bastante avançadas para a época.

A logística provável do transporte da bomba Sulzer: Nas fotos adicionais, um mapa com a rota mais provável que o equipamento percorreu desde Winterthur na Suíça, até o canteiro de obras nos Mananciais da Serra. O peso da bomba era de 5 a 8 toneladas.

Relevância histórica da “Casa da Bomba” no sistema de abastecimento de Curitiba: Para a pesquisa dos Mananciais da Serra, o conjunto Assmann & Stockder–Sulzer de 1925 é um dos equipamentos industriais mais importantes já instalados no sistema, marcando a transição entre as captações por gravidade de 1908 e os sistemas mecanizados de recalque que ampliaram significativamente a capacidade de abastecimento de Curitiba.

Em 1935 houve a troca da bomba, com instalação de novo equipamento mais potente e construção de nova chaminé – de alvenaria – a qual ainda é possível avistar no meio da Represa do Cayguava ou Piraquara I.

Nas fotos adicionais imagens históricas colorizadas da Casa da Bomba, tiradas entre 1925 e 1947.

Este sistema de recalque funcionou até o ano de 1947, quando entraram em operação duas novas adutoras, que captavam a água a partir do Rio Piraquara, no ponto onde funciona o BOPE – Batalhão de Operações Especiais, na Rodovia João Leopoldo Jacomel

Na grande seca de 2020, foi possível fotografar as fundações da Casa da Bomba, destacando-se as reforçadas bases de concreto armado, onde foram instalados os equipamentos.

Veja mais imagens.