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Detalhe do Acervo: Os registros hidráulicos das caixas de captação.

['Os registros hidráulicos das caixas de captação.]
Autor: José Carraro
Titulo: Os registros hidráulicos das caixas de captação.
Data da foto: 31/12/1969
Categoria: Outras Descobertas
Sub-Categoria: N/A

Depois da descoberta da origem das tubulações utilizadas na “Adutora de Curitiba” e dos registros hidráulicos instalados na extensão dessa adutora nas cercanias da “Vila Operária”, faltava confirmar se nas caixas de captação também haviam sido utilizados equipamentos originários da Europa. Para melhor entendimento do que estou mencionando, visite “Adutora de Curitiba/A Origem Belga” e também “A Origem Escocesa dos Registros de Descarga”, publicados neste site.

Lembrando que em agosto de 1908, quando a água dos mananciais finalmente chegou em Curitiba, a captação era realizada em apenas quatro rios: Cayguava, Mico,Tangará, Braço do Carvalho e do próprio Carvalho, que entrava diretamente no reservatório de acumulação.

Embora já tivesse realizado inúmeras visitas às caixas de captação do Cayguava, Mico e Braço do Carvalho, nunca havia dedicado especial atenção a detalhes quanto a existência de inscrições nos registros de descarga ou de manobra, instalados nas imediações das represas.

Para tentar descobrir mais elementos que confirmassem a origem dos equipamentos, entre maio e agosto de 2026, fiz novas visitas as caixas de captação, obtendo os seguintes resultados:

- Caixa do Cayguava.

Inaugurada em 1920, o registro de descarga instalado na caixa foi remanejado da caixa original - que agora conhecida como “Cayguava Velha”, construída em 1906 e abandonada posteriormente, entre os anos de 1918 e 1920.

A exemplo dos registros instalados na Adutora de Curitiba (registros catalogados nesse site como  1, 2 e 6), este também possui a inscrição em alto relevo “Cie Gle” “Liege”, e “375” em um dos lados do corpo do registro. O registro foi usinado pela “Compagnie Générale des Conduites d'Eau, em Liege na Bélgica. Quanto a inscrição “AR” no corpo do registro, não foi possível encontrar seu significado, mesmo usando IA/ChatGPT para essa tarefa.

A conclusão de que o registro foi transferido da Cayguava Velha é plausível, pois não tinha nexo deixar um equipamento valioso em uma estrutura que estava sendo descontinuada. Mais uma informação interessante: no corpo do registro existe a gravação numérica de 375mm, indicando o diâmetro interno da peça, o qual é diferente dos equipamentos de Liege encontrados na Adutora de Curitiba, que são de 400mm.

Sobre o registro de manobra instalado na linha de captação da represa, esse não possui qualquer identificação de sua origem. Sobre a data de instalação, também não foram encontradas anotações nos documentos históricos que apontassem uma data específica. Considerando que a captação da nova caixa do Cayguava começou a ser realizada em 1920, poderia ter sido instalado nesse ano. Mas faltam evidências registradas sobre esse fato.

- Caixa Tangará.

Conforme já descrevi anteriormente (veja em Caixas de Captação/Caixa Tangará), essa caixa foi descontinuada quando da construção do “Aqueduto de Pedra ou Granito” em 1920, para captação da água da nova caixa no rio Cayguava. A adutora de granito foi construída em ponto a montante de onde ficava a caixa Tangará e nesse local, o rio “Tangará” era formado por duas nascentes. Como o novo aqueduto de pedra passou a montante da caixa Tangará, duas novas caixas foram construídas acima desse ponto, as quais foram posteriormente denominadas como “Lacrimal I e Lacrimal II”.

Como o local onde a caixa Tangará estava localizada foi soterrado pela elevação da estrada do Ipiranga, e também por não ter sido encontrada descrições históricas da retirada de equipamentos, não é possível concluir categoricamente sobre a origem do registro de descarga que estava instalado nessa represa.

Porém, considerando que nas demais caixas originais da captação inicial para Curitiba, os equipamentos foram trazidos da Europa, podemos afirmar que a caixa Tangará também contava com registro hidráulico oriundo Liege ou de Glasgow.

- Caixa do Mico.

A investigação mais detalhada também apontou que o registro de descarga instalado na caixa do Mico, foi usinado em Liege na Bélgica. Encontrei na peça a inscrição “Cie Gle Liege” e o número “125”.   Neste caso, o diâmetro interno da peça é de 125mm, A utilização de equipamento de menor bitola, se justificaria pelo menor volume de água represado nessa caixa.

Na linha de captação da caixa do Mico, não existe registro de manobra, com tubulação terminando em uma caixa de ventilação, na adutora que levava a água para o Reservatório do Carvalho.

- Caixa do Braço do Carvalho.

Na caixa do Braço do Carvalho, o registro de descarga também possui inscrição em alto relevo “Cie Gle Liege” e “300”. Note-se a variação de diâmetro entre as represas: 375, 125 e 300. Podemos intuir essa diferença baseada no volume de água represada em cada uma delas. A caixa do Braço do Carvalho é maior que a caixa do Mico, mas de tamanho interior a caixa do Cayguava.

A linha de captação original foi substituída por uma adutora de PVC, possivelmente na década de 70. Existe um registro de manobra na junção da captação com a adutora do Carvalho, instalado no lado de uma torre de ventilação. Mas o equipamento não possui qualquer identificação do fabricante.

Ainda é necessário mencionar as caixas do Urú (Velha 1908), Carvalhinho (1909), Salto (1910), Iporan e Urú (nova), ambas de1918, os registros de descargas instalados nessas represas não possuem qualquer gravação externa, não sendo possível indicar com certeza a origem de fabricação.

No caso da Caixa Carambolas (1908), não existe registro de descarga no cano de fundo da caixa. Porém, pode ter havido um equipamento instalado no passado. Também não tem registro de manobra, pois o cano de captação termina em uma torre de ventilação na adutora que levava a água para o reservatório do Carvalho.

Ainda sobre o registro da caixa do Salto, embora tenha inscrição de 450mm na luva de conexão do registro com o cano de saída da caixa, existe também uma inscrição "1967". Possivelmente trata-se do ano da fundição da peça.

Já o registro de descarga da caixa do Urú, não parece ser da época da construção da nova caixa em 1918, pois possui camada de tinta desbotada na cor cinza ou prateada, característica não encontrada em nenhuma outra peça existente nos encanamentos dos mananciais.

Para concluir a avaliação dos equipamentos sem identificação nas caixas do Carvalhinho, Salto e Iporan, é necessário lembrar que não haviam usinas produzindo artefatos hidráulicos no Brasil, no início do século 20. Assim é quase certo afirmar que a origem mais provável dos registros de descarga tenha sido de Liege na Bélgica, ou de Glasgow na Escócia.

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