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Detalhe do Acervo: Patrimônio revelado: mais um importante capítulo da história dos mananciais.

['Patrimônio revelado: mais um importante capítulo da história dos mananciais.]
Autor: José Carraro
Titulo: Patrimônio revelado: mais um importante capítulo da história dos mananciais.
Data da foto: 28/08/2026
Categoria: Adutora do Res. do Carvalho
Sub-Categoria: N/A

 

O mês de agosto de 2026 terminou com descobertas muito interessantes nos Mananciais da Serra. Na mesma data da identificação da origem dos canos da adutora suspensa do Urú, (veja em Adutora do Reservatório do Carvalho/A origem dos canos da Adutora suspensa na Sanga do Urú), a jusante da caixa do Braço do Carvalho foram encontrados mais indícios históricos da construção das adutoras nos mananciais.

Abaixo da estrada do Ipiranga, a jusante da caixa do Braço do Carvalho, encontramos uma linha da adutora, com cano de ferro fundido de 450mm cuja data de assentamento não havia ainda sido identificada em documentos históricos.

Essa estrutura de canos está assentada sobre três bases de granito e tijolos, erigidas sobre grande afloramento rochoso no leito do rio Braço do Carvalho. Nas extremidades da adutora, temos duas torres de ventilação, uma logo após o final do túnel do Braço do Carvalho, e a outra, na junção da linha de captação da caixa do Braço do Carvalho.

Depois do ventilador de junção, a rede que levava água para o reservatório do Carvalho, era composta por manilhas de barro de 450mm.

A primeira foto que fiz dessa estrutura foi registrada em abril de 2007. Novos registros foram realizados em 2011, 2013 e 2024. Um fato interessante é que nas fotos de dezembro de 2024, já havia registrado o que passou a descrever, mas a época não efetuei investigação mais aprofundada a respeito.

Nas bolsas dos canos existem gravações usinadas que permitiram a descoberta da siderúrgica que fabricou as peças, além da informação da bitola e do ano da fundição.As inscrições encontradas nos canos são as seguintes: G B A G   450  1925  A27.

GBAG: A sigla GBAG estampada no tubo corresponde à Gelsenkirchener Bergwerks-Aktien-Gesellschaft, um dos maiores conglomerados minero-siderúrgicos e de fundição da Alemanha, localizado na região do Ruhr (com sede entre Gelsenkirchen e Essen) – Fonte: ChatGPT.

450: Diâmetro nominal ou bitola do cano – 450mm.

1925: Ano de fabricação ou fundição da peça.

A27: Código interno de fabricação, sem identificação precisa até o momento dessa publicação.

A origem dos canos de ferro fundido está identificada. Porém, não é possível concluir de forma acertada o ano em que foram instalados. Claro que só pode ter sido posterior a 1925, ano da fundição das peças.

Como as informações históricas não apontam especificamente as obras para a instalação dessa pequena rede, em relatório do engenheiro sanitarista Francisco Saturnino Rodrigues de Brito, datado de 1921, o qual foi contratado pelo Governo do estado do Paraná da época, para estudos que visavam o aumento da captação de água para Curitiba, temos a seguinte e importante informação.

Página 46 item 110: “...Com efeito, na extensão de 2.833 metros encontram-se: tubos de ferro fundido, pequenas calhas de ferro galvanizado (que trabalham cheias, até os bordos) para a travessia de algumas grotas, aqueduto de alvenaria de tijolos e conduto de manilhas com as juntas tomadas a cimento, posto NAS PROXIMIDADES DE GRANDES ARVORES e tendo outros vegetaes, de menor porte, por cima da terra que o cobre; foram feitos pequenos tuneis, tendo um deles abatido sobre o conduto formado de tubos de ferro fundido, de diâmetros diferentes (12 e 18).”

Essa descrição da composição da adutora que trazia a água das caixas de captação para o reservatório do Carvalho, apontam deficiências que tornavam o sistema vulnerável a movimentação da vegetação e do terreno.

É muito provável que a instalação dos canos de grande porte no trecho sobre o rio Braço do Carvalho, tenha ocorrido em período semelhante ao da elevação das águas do rio Cayguava e construção da Casa da Bomba em 1925.

Mais um fato histórico importante para o contexto da obra no rio Braço do Carvalho: em 1922 começou a captação das águas dos rios Ipiranga, Bode e Ipiranguinha, o que demandou maior volume de água circulando no aqueduto que levava água para o reservatório de acumulação, o Carvalho.

Nas fotos adicionais, trecho do livro de Saturnino de Brito e um mapa da rota provável dos canos, da Alemanha até os Mananciais da Serra em Piraquara/PR.

Localização: S 25°29'36'' - W 48°58'43'' - Altitude: 1019 metros.

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