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Detalhe do Acervo: Registro de Descarga N°6

['Registro de Descarga N°6]
Autor: José Carraro
Titulo: Registro de Descarga N°6
Data da foto: 23/02/2026
Categoria: Adutora de Curitiba
Sub-Categoria: N/A

A existência de um registro na mata e nas proximidades das casas da Vila Operária, me foi passada em 2020 pelos irmãos Barros - Dirso, Adir e Osmair – filhos de José Rocha de Barros, os quais moraram e trabalharam nos Mananciais da Serra.

Passados quase seis anos, em fevereiro de 2026 finalmente encontrei o registro, localizado numa baixada do terreno, em uma pequena clareira. Anteriormente, em junho de 2020 já havia localizado uma estranha estrutura de tijolos, a qual inicialmente havia interpretado ser de uma base para o cano de descarga do registro, instalado na adutora.

O relato dos irmãos Barros era de que o registro estava instalado abaixo da adutora de Curitiba, e que possuía um longo cano de descarga. Então conclui que a construção de tijolos poderia servir de base ou “berço” para a saída da água.

Após essa primeira descoberta em 2020, fiz diversas incursões ao local, partindo da linha adutora que está visível em um barranco nas proximidades da Vila Operária (S 25°29'33'' - W 48°59'37''), e com auxílio de uma bussola, tracei um rumo ou direção (azimute), pois sabia que a adutora foi assentada em uma linha reta, desde a saída no Reservatório do Carvalho, fato observado no mapa dos Mananciais de 1929.

Também fiz a rota ao contrário (contra-azimute), partindo do ponto visível da adutora de Curitiba (S 25°29'34"   W 48°59'33"), nas proximidades do início da trilha da roça do Seu Zé para a adutora no barranco, próximo da Vila Operária.  A distância entre esses dois pontos, é de 110 metros.

Como as indicações da localização passada pelos irmãos Barros, eram de que a posição de instalação do registro ficava num local bem mais baixo em relação a estrada dos mananciais, as águas das chuvas escoam para esse local baixo, assoreando o terreno. Considerando também as informações de que a última equipe que fazia as roçadas na linha adutora, havia deixado essa atividade em 1997, a soma desses fatores apontava que o registro poderia estar soterrado.

Entre dezembro de 2025 e fevereiro de 2026, concentrei os esforços de localização na pequena clareira onde havia encontrado a construção de tijolos em 2020. No dia 13/02/2026, após limpar novamente o local, tirei as medidas da estranha estrutura, construída com tijolos e argamassa, medindo 1,10 de comprimento x 0,70 de largura x 0,30 de altura, localizada à aproximadamente 50 metros da adutora de Curitiba.

Descobri que a construção havia recebido revestimento com argamassa, fato que chamou minha atenção, pois era estranho que uma estrutura no meio da mata houvesse recebido esse acabamento. Outro fato interessante sobre essa estrutura: foi construída com tijolos que possuem furos na parte mais larga da peça - atualmente chamado de tijolo laminado. Esse tipo de tijolo eu já havia descoberto nas proximidades da Casa da Bomba, em abril de 2015.

Finalmente, no dia 23/02/2026 retornei a esse ponto da clareira, com uma barra de ferro com aproximadamente 1,80 metro para tentar achar indicio do cano da adutora, perfurando o solo para “sentir” onde a adutora poderia estar.

Com o auxílio da barra de ferro, perfurei o fundo da estrutura de tijolos, descobrindo que abaixo de 20cm de solo, havia uma base de tijolos. Então a minha análise de que a construção poderia ter sido uma base para o cano de descarga, não se afirmava. E sim que poderia ser uma espécie de bueiro ou anteparo para diminuir a força da água, quando aberto o registro de descarga da adutora.

Como na direção acima da construção de tijolos passa a Adutora de Curitiba, o registro só poderia estar entre esses dois pontos. Me afastei da construção de tijolos e a uns 5 metros, escondido na vegetação, vislumbrei um pequeno vestígio de algo diferente das folhas e cipós: era a parte superior do registro. Havia encontrado o último registro que ainda faltava ser descoberto.

No dia 25/02/20226, com a ajuda do Sr. Sidnei de Souza Pivovar, funcionário terceirizado responsável pelas roçadas, efetuamos a limpeza da vegetação, com a escavação em volta do registro. Foi possível verificar uma inscrição no corpo do equipamento (CIE GLE), possivelmente como sendo da empresa que usinou a peça. Também foi verificada a existência de duas hastes usinadas na base do registro, que estão conectadas na adutora de Curitiba. A função dessas hastes é manter a estabilidade do registro evitando vibração do conjunto, devido à pressão da água quando aberto a válvula de descarga.

Apesar da descoberta do registro de descarga, a finalidade da estrutura de tijolos abaixo do registro continua sem explicação. A localização do registro fica apenas a 51 metros da adutora no barranco da Vila Operária.

Localização da construção de tijolos: S  25°29'33.4"   W 48°59'35.2"  - Altitude: 975 metros.

Localização do registro de descarga: S  25°29'33.7"   W 48°59'35.3"  - Altitude: 976 metros.

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